A Farsa dos Coletivos Domesticados: critica a nova secretaria de aposentados e aposentadas da APP-SINDICATO
Por Rosangela Schmidt
Há coletivos de aposentados e aposentadas que são, para mim,
uma afronta ao verdadeiro sentido da luta. Reúnem-se em festas, organizam
viagens, promovem almoços — mas esquecem que a luta não se alimenta de
banquetes, e sim de coragem. Não me interessa essa encenação de companheirismo
que se distancia da essência do enfrentamento político e sindical.
Observo, com amargura, a inércia desse grupo que se
autoproclama defensor dos aposentados, mas cuja atuação se limita ao discurso
estéril. E agora, com a nova secretária estadual dos aposentados, o que nos
espera é a imobilização completa — a cristalização da passividade sob o verniz
da cordialidade institucional.
As estratégias adotadas por essa direção são como ecos sem
corpo: muito barulho, nenhum resultado. Nem sequer enfrentam de frente o
governo que, com ironia cruel, se autointitula “amigo da pessoa idosa”. São
incapazes de romper o silêncio confortável que os preserva.
Não aceitam o contraditório. Rejeitam o novo, o ousado, o
insurgente. Querem a luta sem conflito, a política sem crítica, a militância
sem risco.
Eu sei bem o que é estar entre eles — já os defendi com
convicção, até que a experiência de ser dirigente revelou o que o discurso
ocultava: um círculo fechado, onde poucos mandam e muitos se calam. A ordem é
obedecer. O preço, calar-se. E quem ousa pensar diferente é tratado como
inimigo.
Mas o silêncio nunca foi meu abrigo. E a complacência, nunca
foi minha bandeira.


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